O Ministério Público de Santa Catarina concluiu que o cão comunitário conhecido como Orelha não morreu em decorrência de agressões praticadas por adolescentes na Praia Brava, em Florianópolis. A decisão foi divulgada nesta terça-feira, 12, após a análise de quase dois mil arquivos, incluindo vídeos, fotos, mensagens e laudos técnicos. O órgão pediu à Justiça o arquivamento do caso, que teve grande repercussão nacional no início deste ano.
Segundo a promotoria, a reconstituição da cronologia dos fatos apontou inconsistências na investigação inicial da Polícia Civil. A análise das imagens revelou diferença de cerca de 30 minutos entre os horários registrados pelas câmeras. Com isso, o Ministério Público concluiu que os adolescentes investigados e o cachorro não estiveram juntos na praia no período da suposta agressão. Testemunhas também afirmaram que o animal não foi visto na orla naquele horário.
Os laudos periciais e a exumação do corpo do animal indicaram que Orelha sofria de uma grave infecção óssea crônica na região da cabeça, além de problemas dentários avançados. Segundo o MP, não foram encontradas fraturas ou lesões compatíveis com violência humana. O órgão também pediu investigação sobre possíveis irregularidades na condução do caso e sobre o vazamento de informações sigilosas envolvendo adolescentes investigados.






