Autodefensores da APAE de Irineópolis fortalecem participação e voz das pessoas com deficiência.

Projeto permite que educandos sejam escolhidos pelos próprios colegas para representar demandas e defender direitos dentro e fora da instituição:

🎧 OUÇA A REPORTAGEM:

A APAE de Irineópolis mantém um trabalho voltado ao fortalecimento da autonomia e da participação das pessoas com deficiência por meio do projeto de Autodefensores.

A iniciativa coloca os próprios educandos como representantes dos demais alunos da instituição. Atualmente, quatro educandos exercem essa função, sendo dois titulares e dois suplentes, escolhidos por meio de votação dos próprios alunos.

De acordo com a professora Kelly, responsável pelo trabalho na APAE de Irineópolis, a autodefensoria está prevista no estatuto da instituição e tem como objetivo contribuir para o desenvolvimento da autonomia da pessoa com deficiência intelectual e múltipla, ampliando sua participação na família, na comunidade e na sociedade.

Os autodefensores têm entre suas atribuições ouvir os colegas, identificar demandas e contribuir na busca por soluções. O trabalho também envolve orientação e incentivo para que os educandos conheçam e defendam seus direitos.

A atuação não fica restrita ao ambiente da APAE. A proposta é estimular a participação dos autodefensores em atividades da sociedade, reuniões, conselhos, discussões relacionadas às políticas públicas e outros espaços onde possam contribuir com a realidade das pessoas com deficiência.

Inclusão para além das leis:

Durante a entrevista ao PN Notícias, Kelly destacou que ainda existem desafios para que a inclusão aconteça de maneira efetiva no cotidiano.

Entre as dificuldades estão as barreiras arquitetônicas, questões relacionadas à acessibilidade, políticas públicas e, principalmente, o preconceito e os diferentes olhares da sociedade em relação às pessoas com deficiência.

Para a professora, embora existam leis e políticas que garantam direitos, a realidade encontrada no dia a dia ainda exige mudanças e participação constante.

Nesse processo, a família também tem papel fundamental. Segundo Kelly, o apoio dos pais e responsáveis é essencial para que os educandos desenvolvam autonomia e participem cada vez mais das decisões relacionadas às próprias vidas.

Representatividade que inspira:

A experiência dos autodefensores também tem reflexos entre os demais educandos. Conforme a professora, é possível perceber a evolução dos representantes e o interesse de outros alunos em também assumir essa função.

Os quatro atuais autodefensores já estão em seu segundo mandato, após serem novamente escolhidos pelos colegas.

A permanência na função ocorre por meio de eleições realizadas a cada três anos. Os autodefensores podem participar novamente da eleição para um segundo mandato, totalizando até seis anos de atuação antes da necessidade de um intervalo.

Mais do que representar os colegas, o projeto busca fortalecer a autonomia e mostrar que a pessoa com deficiência deve ter espaço para falar, participar, tomar decisões e defender os próprios direitos.

Confira a entrevista completa no áudio acima.

Carlos César / PN Notícias.

Autor:

Publicado em:

20/08/2026

Compartilhe: