Uma investigação do Ministério Público de Santa Catarina revelou um esquema sofisticado de cartel e corrupção em obras públicas que teria atuado entre os anos de 2018 e 2023, com Blumenau apontada como o principal centro das operações criminosas. A decisão da Vara Estadual de Organizações Criminosas é baseada em apurações do GAECO, que identificaram um modelo de fraude em licitações com ramificações em pelo menos 11 municípios catarinenses.
Segundo as investigações, o esquema funcionava por meio de um grupo de “empresas amigas”, que combinavam previamente os vencedores das licitações e simulavam concorrência com descontos mínimos apenas para dar aparência de legalidade aos processos. Empresas que não participavam do cartel sofriam dificuldades burocráticas, atrasos e até rescisões de contratos. Em Blumenau, a suspeita é de participação direta de agentes públicos na coordenação das fraudes.
O Ministério Público aponta ainda que o pagamento de propinas variava entre 4% e 8% do valor dos contratos. Para desviar recursos, os investigados manipulavam medições técnicas, adulteravam equipamentos de topografia e aprovavam aditivos considerados desnecessários. A investigação também identificou o uso de uma rede de postos de combustíveis para lavar o dinheiro obtido de forma ilícita.
As apurações mostram que o esquema atingiu cidades como Gaspar, Indaial, Timbó, Rio dos Cedros, Videira, Benedito Novo, Luís Alves, Pomerode, Ascurra e Brusque. Em alguns casos, empresários admitiram participação em licitações apenas para apresentar propostas de cobertura e favorecer empresas do grupo. Também há relatos de pressão sobre engenheiros, combinação de descontos mínimos e pagamentos para fiscais ignorarem irregularidades em obras públicas.
De acordo com o GAECO, o esquema teria movimentado mais de 600 milhões de reais em contratos suspeitos de fraude, lavagem de dinheiro e organização criminosa. As investigações começaram após denúncias feitas por dois empresários e seguem em andamento. O Ministério Público busca identificar todos os envolvidos e recuperar os recursos públicos que teriam sido desviados.







