O Tribunal Superior Eleitoral abriu uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente Geraldo Alckmin. A ação foi apresentada pelo Partido Novo e apura suspeitas de abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação durante o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, realizado no Carnaval deste ano. A informação sobre a abertura da investigação foi divulgada após o registro da chapa para as eleições de 2026.
A escola levou à Marquês de Sapucaí o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. O Partido Novo sustenta que o desfile teria ultrapassado os limites de uma manifestação artística e adquirido características de propaganda eleitoral, com exposição favorável ao presidente. A legenda também questiona o uso de recursos públicos relacionados à realização do desfile.
A ação apresentada pelo Novo pede a cassação dos registros de candidatura de Lula e Alckmin e também a declaração de inelegibilidade dos dois por oito anos. Entre os argumentos apresentados estão a utilização de recursos públicos e a transmissão do desfile por televisão aberta, que, segundo o partido, teria proporcionado exposição desproporcional ao então pré-candidato. Essas são alegações do autor da ação e ainda serão analisadas pela Justiça Eleitoral.
A abertura do processo, no entanto, não significa que Lula ou Alckmin tenham sido condenados. A admissibilidade permite que a investigação tenha prosseguimento e que sejam produzidas e analisadas provas sobre os fatos apresentados. O TSE deverá ouvir os envolvidos e avaliar se houve, de fato, abuso de poder econômico ou uso indevido dos meios de comunicação.
O caso começou ainda antes do Carnaval. Em fevereiro, o Novo havia apresentado uma representação contra Lula, o PT e a Acadêmicos de Niterói por suposta propaganda eleitoral antecipada. Na ocasião, o TSE rejeitou pedidos para impedir o desfile, mas manteve a possibilidade de que eventuais irregularidades fossem analisadas posteriormente, depois da realização do evento.
Agora, com a nova ação, a discussão passa a envolver diretamente a chapa Lula e Alckmin registrada para as eleições de 2026. O processo seguirá seu curso no Tribunal Superior Eleitoral, e uma eventual cassação ou declaração de inelegibilidade dependerá de uma decisão após a análise das provas e do direito de defesa dos investigados.






