Ministério Público pediu duas vezes prisão de ex-prefeito de Mafra em investigações distintas

O Ministério Público de Santa Catarina solicitou duas vezes a prisão preventiva do ex-prefeito de Mafra, Emerson Maas, do MDB, em investigações distintas conduzidas pelo GAECO. Em ambas as ocasiões, os pedidos foram rejeitados pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina. Até o momento, não existe denúncia criminal recebida contra o ex-prefeito em nenhuma das duas apurações.

Uma das investigações apura suposto direcionamento de licitações para contratação de sistemas de gestão pública em diversos municípios catarinenses, envolvendo a empresa Pública Tecnologia. A outra é a Operação Pão e Circo, que investiga supostas fraudes em licitações de eventos e shows. Conforme documentos citados pelo Jornal Razão, o Ministério Público sustenta a hipótese de existência de uma organização criminosa responsável por direcionar licitações para contratação de softwares de gestão pública.

A investigação analisa 701 processos licitatórios, nos quais a empresa teria vencido aproximadamente 87% dos certames, acumulando contratos que somam cerca de 164 milhões de reais. Entre os municípios analisados, Mafra ocupa posição de destaque. A Pública Tecnologia recebeu mais de 5 milhões e 100 mil reais em contratos firmados entre 2015 e 2025 com a Prefeitura de Mafra e outras entidades municipais. Para os investigadores, a sequência de contratações sem interrupção chamou a atenção e passou a integrar o conjunto de elementos analisados.

Um dos principais pontos destacados pelo Ministério Público envolve a troca de e-mails localizada durante a investigação. Arquivos editáveis contendo modelos de editais teriam sido enviados juntamente com propostas comerciais da própria empresa antes da abertura oficial dos procedimentos licitatórios. Em gravações atribuídas ao representante comercial da empresa, aparecem expressões como “nosso compromisso com o prefeito de Mafra” e referências a futuras cobranças.

Ao analisar os pedidos, o desembargador Luiz Antonio Zanini Fornerolli concluiu que os elementos existentes não eram suficientes para justificar medidas como prisão preventiva ou busca e apreensão contra Emerson Maas. O magistrado observou que palavras como “compromisso”, “feedback” e “cobrança” podem ser utilizadas em diversos contextos administrativos e, isoladamente, não demonstrariam prática criminosa. As investigações continuam em andamento e novas medidas poderão ser analisadas caso surjam provas objetivas.

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Publicado em:

13/07/2026

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