O ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, afirmou nesta quinta-feira, 17, que foi advertido sobre possíveis represálias caso levasse adiante informações recebidas da Polícia Federal no caso Master. Segundo Mendonça, os alertas ocorreram de forma explícita e implícita e incluíam a possibilidade de ataques contra ele e pessoas próximas.
O ministro decidiu retirar o sigilo de parte dos autos que reúne informações extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O STF confirma que o material tem relação com supostos diálogos envolvendo o ministro Alexandre de Moraes.
Mendonça afirmou que, apesar das advertências, não tem nada a temer e que continuará exercendo sua função com serenidade e responsabilidade. O ministro também criticou os ataques pessoais que, segundo ele, têm ocorrido durante as discussões sobre o caso. A declaração ocorre em meio a uma disputa pública entre integrantes do Supremo sobre a condução das investigações relacionadas ao Banco Master.
“Quando decidi levar adiante as informações que recebi da Polícia Federal, sabia que viriam represálias. Fui advertido, de forma implícita e explícita, de que viriam ataques à minha pessoa e a pessoas próximas a mim. Conforme ensina [Arthur] Schopenhauer [filósofo alemão], dentre os estratagemas para se tentar vencer um debate sem ter razão estão os ataques pessoais contra quem se diverge, fazendo-o de forma injusta, ofensiva e insultante”, escreveu Mendonça.
“Nada tenho a temer. Assim, apesar dos ataques e tentativas de intimidação, seguirei cumprindo meu dever com serenidade e responsabilidade”, afirmou Mendonça.
O caso continua em análise no Supremo. Nesta quinta-feira, o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, retirou de pauta o julgamento que analisaria a atuação de André Mendonça no caso Master. A sessão estava prevista para quarta-feira, 23, mas foi adiada sem nova data definida. O STF informou que existem discussões pendentes relacionadas aos processos que envolvem o caso.





