As atenções em Brasília estão voltadas para os próximos passos do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, na condução das investigações envolvendo o Banco Master e as fraudes nos descontos de aposentados e pensionistas do INSS. Mendonça é relator dos dois casos e vem autorizando novas medidas nas investigações. No dia 4 de agosto, por exemplo, o ministro autorizou buscas contra nove pessoas em uma nova fase da Operação Sem Desconto.
No caso do Banco Master, a Polícia Federal também avança na apuração. Na última semana, a corporação pediu ao Supremo mais 60 dias para concluir o inquérito, depois de identificar suspeitas envolvendo outros diretores do Banco de Brasília, o BRB. A investigação envolve operações bilionárias entre as duas instituições e busca esclarecer possíveis irregularidades na negociação de carteiras de crédito.
Já nas investigações sobre o INSS, uma das frentes autorizadas por Mendonça apura suspeitas de lavagem de dinheiro e possíveis benefícios a pessoas ligadas ao senador Weverton Rocha, do PDT do Maranhão. As medidas determinadas pelo ministro incluíram buscas, apreensões e acesso a dados relacionados a empresas, contratos, movimentações financeiras e outros documentos.
A condução dos inquéritos também provocou tensão entre o ministro e setores da Polícia Federal. Mendonça adotou medidas para restringir o acesso a informações sigilosas das investigações, justificando a necessidade de proteger os dados contra possíveis vazamentos. O episódio gerou críticas dentro da corporação e aumentou o desgaste institucional entre o STF e a direção da Polícia Federal.
O cenário ganhou ainda mais repercussão política porque as investigações atingem pessoas ligadas a diferentes grupos e partidos. O cruzamento de informações dos casos Master e INSS é acompanhado de perto pelo governo, pela oposição e pelo Congresso, diante da possibilidade de novas medidas judiciais e do surgimento de outros nomes no decorrer das apurações.
André Mendonça, por sua vez, tem afirmado que pretende conduzir os processos com rigor técnico, imparcialidade e respeito às garantias constitucionais. Em declaração feita em 14 de agosto, o ministro disse que as decisões devem ser baseadas nas provas reunidas nos autos e que é necessário evitar erros semelhantes aos cometidos em investigações anteriores, numa referência aos métodos associados à Operação Lava Jato.
As próximas semanas, portanto, devem ser importantes para os dois casos. A Polícia Federal trabalha para avançar nas investigações do Banco Master, enquanto novas diligências relacionadas ao INSS continuam sendo autorizadas pelo Supremo. O resultado dessas apurações poderá ampliar o alcance dos casos e aumentar ainda mais a pressão política e institucional em Brasília.







