A presença de mais de 200 mil javalis em Santa Catarina preocupa produtores rurais e autoridades ligadas ao agronegócio. Segundo estimativa da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado, a Faesc, os animais já estão presentes em 236 municípios catarinenses, provocando prejuízos em lavouras de milho, soja, feijão e trigo, além de pastagens e criações de animais. A situação também preocupa agricultores do Planalto Norte, região com forte presença da atividade agropecuária. Entre 2019 e 2024, mais de 120 mil javalis foram abatidos no estado, mas a população continua elevada.
Um dos principais problemas é a rápida reprodução da espécie. As fêmeas podem ter duas ninhadas por ano, com aproximadamente oito filhotes em cada uma. Os animais chegam a formar grupos de até 50 indivíduos e podem invadir propriedades, estradas e até áreas urbanas. Machos adultos podem pesar cerca de 200 quilos e representar perigo para as pessoas. Além da destruição das plantações, existe a preocupação com a transmissão de doenças, como a peste suína africana e a peste suína clássica, que poderiam provocar prejuízos bilionários à suinocultura catarinense.
A Faesc defende mudanças nas regras de controle dos javalis, principalmente para reduzir a burocracia enfrentada pelos profissionais autorizados a realizar o manejo. Santa Catarina possui uma lei estadual, sancionada em 2023, que permite o controle populacional da espécie, mas a entidade cobra medidas também do governo federal. A preocupação é que, sem ações mais eficientes, a população de javalis continue aumentando, ampliando os prejuízos aos agricultores, os riscos à segurança das famílias do campo e as ameaças à economia catarinense.






