A Polícia Federal investiga mensagens trocadas entre o ex-chefe de gabinete da Presidência Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, e a lobista Roberta Luchsinger. Segundo a investigação, o ex-assessor recebia pedidos de reuniões feitos pela empresária e atualizava Roberta sobre encontros com integrantes do governo federal. O caso também envolve a apuração de um possível tráfico de influência.
Entre as mensagens analisadas pelos investigadores está uma conversa de julho de 2024, quando Roberta enviou a Marcola uma lista de assuntos considerados prioritários para clientes. Entre os pedidos estava uma reunião com Swerdenberger Barbosa, conhecido como Berger, que ocupava o cargo de secretário-executivo do Ministério da Saúde. Marcola respondeu que havia se reunido com Berger no dia anterior. Em outra conversa, Roberta chegou a mencionar a necessidade de envolver Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, nas articulações.
Uma das linhas da investigação busca esclarecer se Roberta e Lulinha teriam atuado para facilitar contratos relacionados a medicamentos à base de cannabis medicinal no Ministério da Saúde. A PF também encontrou mensagens sobre um modelo de contrato relacionado à pasta. Os investigadores apuram ainda contatos para tentar conseguir uma reunião com a presidente da Petrobras, Magda Chambriard. A Petrobras afirmou que ela jamais tratou de qualquer assunto com as pessoas citadas na investigação.
A investigação também analisa possíveis vantagens econômicas recebidas por Marcola. O ex-assessor deixou a chefia do gabinete do presidente Lula em julho, depois que veio à tona que havia recebido pagamentos feitos por Roberta. A defesa afirma que os valores estavam relacionados a um empréstimo. Mensagens também mencionam um quadro avaliado em 100 mil euros e joias de diamante avaliadas em 9 mil e 200 reais.
Sobre o quadro, a defesa de Marcola afirma que ele nunca recebeu a obra de arte ou objetos de valor e sustenta que a mensagem sobre o quadro não representava uma cobrança de fato. Os advogados também negam que o ex-assessor tenha intermediado negociações ou encaminhado documentos relacionados a compras ou licitações públicas. A defesa de Roberta informou que não vai se manifestar sobre o caso, que tramita sob sigilo.
A Polícia Federal ainda apura a participação de Lulinha nas possíveis intermediações. A defesa do filho do presidente nega a existência de irregularidades. As investigações continuam para esclarecer se houve atuação indevida junto a integrantes do governo e se ocorreram vantagens financeiras em troca de facilidades ou intermediações.







