O tribunal do júri da comarca de Canoinhas concluiu perto das 20h desta quinta-feira, 12, o julgamento de Gabriel Carvalho, de 26 anos, acusado de atropelar e matar a professora Marli Lother em março do ano passado, na avenida Abrahão Mussi, em Três Barras. Após mais de dez horas de sessão, o conselho de sentença decidiu condenar o réu a 29 anos de prisão em regime fechado. A pena também inclui duas tentativas de homicídio, já que outras duas pessoas foram atingidas e sofreram ferimentos.
Durante o julgamento, a defesa apresentou sete testemunhas, que afirmaram que Gabriel não sabia que havia atropelado a professora. Segundo os relatos, ele parecia desorientado e apresentava um ferimento na testa, possivelmente causado por uma batida no para-brisa do veículo Kadett que conduzia no momento do acidente.
Em seu depoimento, o réu relatou que havia trabalhado desde as 6h até o meio-dia naquele dia e, à noite, participou de um jantar organizado pelo chefe, onde disse ter consumido apenas refrigerante. Segundo ele, não estava se sentindo bem, decidiu ir embora e, no trajeto para casa, teria ocorrido o atropelamento de forma não intencional. Gabriel afirmou ainda que perdeu a consciência e só soube do ocorrido quando acordou já na delegacia, ao lado da mãe.
O réu também demonstrou arrependimento durante o interrogatório e pediu perdão ao filho da professora Marli e às demais vítimas. Ele afirmou que nunca teve a intenção de machucar ninguém e disse que não é a pessoa que muitos acreditam que ele seja.
Nos debates, a acusação destacou a gravidade do atropelamento, afirmando que o carro estava em alta velocidade e que a professora estava na calçada no momento em que foi atingida. A defesa sustentou que se tratou de um acidente e questionou a ausência de teste do bafômetro. Ao final, os jurados decidiram pela condenação por homicídio e duas tentativas de homicídio com quatro qualificadoras. A defesa informou que deve recorrer da decisão.