Um novo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o Ipea, divulgado nesta terça-feira, 10, trouxe números importantes sobre a discussão em torno do fim da escala de trabalho 6×1 e a redução da jornada de trabalho no Brasil. A análise faz parte do debate nacional sobre mudanças nas regras trabalhistas e seus efeitos para trabalhadores e empresas.
Segundo o estudo, a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, associada ao fim da escala 6×1, pode elevar o custo médio do trabalho com carteira assinada em cerca de 7,84%, medida pelo custo por trabalhador. No entanto, a pesquisa também aponta que, em setores como indústria e comércio, o impacto direto no custo operacional total das empresas deve ser inferior a 1%, sugerindo que muitas companhias têm capacidade de absorver a mudança.
Especialistas ouvidos na análise ressaltam que esses efeitos se assemelham aos ocasionados por reajustes históricos do salário mínimo e que, em grande parte da economia formal, o custo extra pode ser diluído sem causar desequilíbrios. Isso não elimina desafios, especialmente para setores de serviços que dependem fortemente de mão de obra, como vigilância e limpeza, em que a elevação de custos pode ser mais expressiva.
O estudo do Ipea surge no momento em que a proposta de emenda à Constituição que trata da jornada e do fim da escala 6×1 avança nas discussões políticas no Congresso Nacional, com parlamentares sinalizando prioridades para votação ainda no primeiro semestre. Os resultados da pesquisa devem influenciar o debate entre representantes dos trabalhadores, empregadores e legisladores nos próximos meses.







