Nas margens do rio Iguaçu, entre União da Vitória (PR) e Porto Vitória/Porto União (SC), avança o anteprojeto que pretende dar fim aos alagamentos recorrentes na chamada “Curva da Ressaca”. O governo do Paraná liberou cerca de R$ 5 milhões para a fase inicial de estudos, e mais R$ 5,2 milhões para elaboração de alternativa técnica, financeira e ambiental.
O processo inclui levantamento histórico das cheias, simulações hidrodinâmicas e análise das condições do solo e do leito do rio, tudo para apontar a melhor obra de contenção. Estudos recentes estimam que, em cheias extremas, a vazão no rio pode ultrapassar 5.000 m³/s, volume que desafia cercas, diques e soluções simples.
Apesar do avanço nos estudos, a obra definitiva ainda não começou.
Especialistas afirmam que o que está em jogo não é apenas uma obra de engenharia, mas a segurança de milhares de famílias ribeirinhas e a prevenção de prejuízos sociais e econômicos. A cada enchente, casas são alagadas, o comércio sofre e a cidade paralisa, por isso, a necessidade de uma solução definitiva é urgente.
Políticos do Paraná e Santa Catarina são cobrados por ações concretas contra enchentes no rio Iguaçu
Dois anos após uma das maiores enchentes da história recente de União da Vitória e Porto União, moradores da região ainda esperam por obras que garantam segurança e prevenção. O governo do Paraná firmou contrato com a Unilivre, no valor de cerca de cinco milhões de reais, para elaboração do anteprojeto de contenção das cheias do rio Iguaçu. O documento prevê estudos técnicos, levantamentos de campo e simulações hidrodinâmicas, mas até agora nenhuma intervenção prática foi iniciada.
De acordo com o contrato, a empresa responsável tem prazo de dez meses, contados a partir de 2 de setembro de 2024, para concluir o anteprojeto, que deve indicar a solução mais viável para reduzir os impactos das cheias. A entrega final está prevista para o início de setembro de 2025. Entre as opções em análise estão o alargamento da calha do rio, a criação de diques e a implantação de canais extravasores. Os estudos incluem também estimativas de custo, impactos ambientais e medidas de reassentamento para famílias em áreas de risco.
Enquanto o projeto ainda está no papel, a população ribeirinha continua vulnerável. A cada período de chuva forte, o medo volta a tomar conta das comunidades próximo à Curva da Ressaca, ponto mais crítico das inundações. Moradores cobram urgência e questionam a falta de resultados concretos, lembrando que as promessas de prevenção vêm sendo repetidas há décadas.
Na esfera política, alguns parlamentares têm visitado o local e cobrado ação efetiva.
O deputado catarinense Vicente Caropreso anunciou que, ao lado do governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, buscaria reunião com o governo do Paraná para tratar das intervenções na divisa entre os estados.
Além dos esforços pontuais já divulgados, a população de Santa Catarina, também cobra uma atuação mais efetiva dos deputados federais e estaduais do estado, como Carlos Chiodini, Valdir Cobalchini, Mário Motta, Geovania de Sá, Fábio Schiochet, Paulinha, entre outros que conhecem a região.
Todos conhecem a realidade das enchentes na divisa entre os dois estados, mas até o momento não há registros de iniciativas diretas voltadas ao trecho do rio Iguaçu entre Porto União e União da Vitória. A expectativa da população é de que esses parlamentares se unam para pressionar por recursos e soluções concretas, já que o problema é compartilhado e não respeita limites geográficos. Cabe salientar, que órgãos ambientais e decisões morosas, também fazem com que obras deste tipo custem a ser executadas.
O anteprojeto do governo é considerado um passo importante, mas insuficiente diante da gravidade do problema. Sem a execução das obras, os estudos podem se tornar apenas mais um documento arquivado. Especialistas defendem que o governo estadual apresente um cronograma público, com prazos definidos para o início das intervenções.
Líderes comunitários e representantes locais pedem mais transparência e envolvimento da população nas decisões. Segundo eles, a sociedade quer participar da discussão sobre as soluções propostas e acompanhar a aplicação dos recursos. Para muitos, o que falta não é diagnóstico, e sim vontade política para transformar os projetos em realidade.
Os prefeitos das cidades afetadas também reforçam o apelo por ações conjuntas entre Paraná e Santa Catarina, já que o rio Iguaçu marca a divisa entre os estados. A defesa civil dos municípios tem atuado com medidas emergenciais, mas sem apoio estrutural, a prevenção segue limitada.
A expectativa é de que o governo do Paraná apresente ainda este ano o resultado dos estudos e o plano definitivo de obras. Até lá, a população permanece em alerta, na esperança de que o poder público cumpra as promessas e coloque em prática, de forma concreta, as soluções que o papel já prevê.
Veja abaixo:
Documento de assinaturas digitais gerado em 27 de Agosto de 2024, 15:05:11, que formaliza a elaboração do anteprojeto de contenção das cheias. Contém objeto, metas técnicas, prazos e etapas de entrega (levantamentos topográficos, modelagem hidrodinâmica e estimativa de custos).







