A produção de grãos em Santa Catarina passou por grandes transformações nos últimos dez anos, com a soja assumindo papel de destaque. Entre 2014 e 2024, a oleaginosa ampliou em mais de 213 mil hectares sua área cultivada e superou a marca de 1 milhão de toneladas produzidas. Esse avanço ocorreu sobre áreas antes destinadas ao milho, feijão, pastagens e até florestas plantadas, consolidando a soja como a principal cultura do estado.
Segundo a Epagri/Cepa, a mudança foi impulsionada pela maior demanda internacional, pelo custo de produção mais baixo e pela resistência da soja a períodos curtos de estiagem. Enquanto isso, outras culturas perderam espaço. O milho reduziu em mais de 100 mil hectares, em parte devido aos custos elevados e à praga da cigarrinha, aumentando a dependência de grãos de outros estados. O feijão, que já ocupava 350 mil hectares em 1994, caiu para 63 mil em 2024, embora o feijão-preto ainda mantenha importância para o abastecimento do Sul do país.
O trigo, por sua vez, registrou crescimento expressivo nos últimos anos, chegando a aumentar 180% na produção em 2022/23, mas sofreu retração recente devido ao clima. Já o arroz manteve estabilidade, com cerca de 146 mil hectares cultivados em 93 municípios, e alcançou recorde de produtividade com 8,6 mil quilos por hectare em 2023. Para a Epagri/Cepa, acompanhar essas transformações é essencial para orientar investimentos em armazenagem, logística e políticas públicas, já que os impactos chegam diretamente ao abastecimento interno e às cadeias de proteína animal, nas quais Santa Catarina é referência nacional.







