Paraguai está seduzindo empresas brasileiras com imposto de apenas 1%

A transferência de empresas brasileiras para o Paraguai tem gerado preocupação entre empresários, governos e entidades da indústria. O tema ganhou destaque após o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, pedir publicamente que o Google mantenha suas operações no Brasil durante a inauguração de um centro de engenharia na capital paulista. No centro do debate está a Lei de Maquila, criada pelo Paraguai em 1997 para atrair investimentos estrangeiros com incentivos fiscais e custos reduzidos para a produção industrial.

Segundo dados do governo paraguaio, mais de 200 empresas brasileiras já transferiram parte de suas operações para o país vizinho desde 2007. As companhias nacionais representam cerca de 70% das indústrias instaladas no regime de maquila. Entre os atrativos estão a cobrança de apenas 1% sobre o valor agregado dos produtos exportados, além de energia elétrica mais barata, menor burocracia e encargos trabalhistas inferiores aos praticados no Brasil. Empresários relatam que a economia operacional pode chegar a 40% em alguns casos.

Especialistas apontam que o principal risco para o Brasil é a perda gradual de investimentos, empregos e arrecadação tributária. Embora a produção seja transferida para o Paraguai, muitas empresas continuam atendendo o mercado brasileiro por meio das regras do Mercosul. O setor produtivo também reclama da elevada carga tributária, da complexidade fiscal e das frequentes mudanças nas regras para quem produz no país. Para analistas, sem medidas que reduzam custos e simplifiquem o ambiente de negócios, a tendência é que mais empresas avaliem a possibilidade de instalar parte de suas operações em mercados considerados mais competitivos.

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Publicado em:

02/06/2026

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