Mudanças na MP ‘do Fim do Mundo’ devem impactar preço dos combustíveis

As mudanças nos créditos em impostos da medida provisória (MP), conhecida como “do Fim do Mundo” por críticos, devem impactar o preço dos combustíveis. Espera-se que a partir desta terça-feira (11), haja um reajuste.

A alta dos preços dos combustíveis foi iniciada pela rede Ipiranga, que enviou um comunicado aos postos afiliados informando sobre o aumento no final da semana passada.

Segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), a gasolina pode aumentar de 4% a 7% por litro, o que equivale a uma média de 20 a 36 centavos. Já o diesel pode sofrer reajustes de até 4%, resultando em uma variação de 10 a 23 centavos por litro.

“Impacta o caixa das empresas que terão que utilizar outros recursos para pagar seus impostos que não os créditos de Pis/Cofins. Também afetará a competitividade da indústria nacional e as estratégias de investimentos e inovação das corporações, comprometendo a dinâmica do mercado com prejuízos para a geração de emprego e de renda, e reflexos importantes na economia nacional”, diz trecho do posicionamento do IBP.

A medida provisória da compensação suspende temporariamente o uso de créditos tributários em impostos como PIS e Cofins por parte das empresas. Atualmente, esses créditos são utilizados como uma forma de reduzir o valor final dos impostos a serem pagos.

A proposta foi apresentada como uma maneira de compensar a prorrogação da desoneração na folha de pagamentos de setores e municípios. O benefício tributário está em fase de negociação entre o governo e o Congresso e espera-se que seja concluído até o próximo mês.

Os parlamentares estão buscando prorrogar o benefício na folha de pagamentos, enquanto o governo argumenta a falta de recursos. O Executivo levou o tema ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde o ministro Cristiano Zanin manifestou apoio ao governo e contra a desoneração, concedendo um prazo de 60 dias para negociações.

Lula se encontrou com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), na tarde de segunda-feira (10) para discutir a MP. Também está programado um encontro entre o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e empresários na terça-feira, como parte das negociações.

Por outro lado, setores ligados aos núcleos empresariais estão pressionando por alterações no texto. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) se posicionou contra a proposta e solicita que as mudanças sejam feitas por Pacheco – o que poderia levar ao fim do texto proposto pelo governo.

Autor:

Publicado em:

11/06/2024

Compartilhe: