Uma loja que se diz especializada na venda de iPhones, com sede em União da Vitória, está sendo investigada pela Polícia Civil após denúncias de possíveis golpes contra consumidores da região. A suspeita é de que mais de 200 pessoas tenham sido lesadas, com prejuízos que podem ultrapassar R$ 1 milhão.
Segundo os relatos, muitos clientes pagaram antecipadamente pelos aparelhos — alguns de alto valor — e nunca os receberam. Em outros casos, os celulares até foram entregues, mas deixaram de funcionar em poucas semanas após terem seus IMEIs bloqueados.
O delegado Douglas Possebom e Freitas, responsável pelo inquérito, informou que a loja tinha, além da sede em União da Vitória, uma filial em Mallet e um escritório na capital Curitiba. A investigação aponta que os produtos vendidos podem ter origem ilícita, como roubo ou contrabando. “Deduzimos que não havia estoque real dos aparelhos. As compras eram feitas apenas após o pagamento dos clientes. Agora vamos apurar a origem desses produtos e se são legais ou não”, afirmou o delegado. O proprietário da loja não foi localizado e há suspeita de que ele esteja fora do país.
Nas redes sociais, vítimas se mobilizam por justiça. Um perfil no Instagram chamado “Protesto Digital UVA” reúne relatos, provas de pagamento e orientações para outras pessoas lesadas.
Uma das consumidoras contou que pagou R$ 2.800 por um iPhone em fevereiro, mas nunca recebeu o aparelho. Inicialmente, o atendimento foi profissional, com contrato assinado, mas, com o tempo, os atrasos e mensagens automáticas se tornaram frequentes até que a loja fechou as portas. Ex-funcionários também relatam prejuízos, como a falta de pagamento de acertos trabalhistas.
O advogado Guilherme Chokailo orienta as vítimas a buscarem seus direitos. Ele destaca que é fundamental guardar todos os comprovantes e documentos relacionados à compra. Caso não haja retorno da empresa, a recomendação é procurar o Procon ou um advogado. “Em muitos casos, é possível pedir judicialmente a devolução do valor, bloqueio de bens do responsável e até indenização por danos morais”, explicou. A Polícia Civil segue com as investigações para localizar o responsável e esclarecer a origem dos aparelhos comercializados.







