O deputado Guilherme Derrite, relator do projeto antifacção, voltou a criticar o governo federal nesta terça-feira, 18, logo após a aprovação da proposta na Câmara dos Deputados. Segundo ele, mesmo com a resistência de aliados do Planalto, o Parlamento entregou “o projeto mais duro e eficaz contra o crime organizado que esta nação já viu”.
A matéria aprovada endurece penas para integrantes de organizações criminosas, estabelecendo punições que variam de 20 a 40 anos. Derrite destacou que o texto trata de práticas recentes do crime organizado, como o uso de barricadas e drones para impedir ações policiais, e inclui medidas como o fim de visitas íntimas, restrições ao indulto, cumprimento de 70% da pena em regime fechado e permanência obrigatória de lideranças em presídios de segurança máxima. O relator também mencionou que, pela primeira vez, filhos de integrantes de facções não terão direito ao auxílio-reclusão quando o responsável for preso.
Durante o debate em plenário, parlamentares da base governista acusaram Derrite de falta de diálogo. Segundo eles, o relator teria recusado um encontro com o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, para discutir o tema. O líder do governo, José Guimarães, afirmou que as tratativas ocorreram por meio do presidente da Câmara, Hugo Motta, que intermediou a comunicação entre as partes.
Derrite, por sua vez, disse que a construção do texto foi política, técnica e baseada na experiência de quem conhece a realidade do combate ao crime organizado. Ele afirmou que o governo federal não buscou diálogo e teria preferido “politizar” a discussão. O deputado também acusou integrantes da base aliada de divulgarem “narrativas mentirosas”, especialmente sobre um suposto enfraquecimento da Polícia Federal, ponto que ele negou com veemência.
O relator afirmou ainda que ficou em silêncio diante das críticas para garantir um texto suprapartidário. Ele explicou que a sexta versão, aprovada pelo plenário, preserva 95% de sua proposta original. Para Derrite, o governo tentou impedir o avanço da matéria ao apresentar um projeto que classificou como “fraco e benevolente” com o crime organizado, e alinhado a uma visão equivocada que “trata o traficante como vítima”.
Ao final, Guilherme Derrite agradeceu ao presidente da Câmara, Hugo Motta, por manter o compromisso de votar seu relatório, e citou o apoio do governador de São Paulo, Tarcísio Freitas. Segundo ele, seu afastamento da Secretaria de Segurança Pública paulista foi alinhado com o governador para permitir sua dedicação ao debate sobre o crime organizado no Congresso.






