O contador João Muniz Leite, que já prestou serviços ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao filho dele, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, foi alvo de um pedido de investigação por suspeitas de fraude, lavagem de dinheiro e possíveis vínculos com integrantes do PCC, o Primeiro Comando da Capital. O caso, ocorrido em março de 2024, ganhou repercussão após informações divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo.
O requerimento foi apresentado pelo deputado federal Evair Vieira de Melo, que solicitou à Procuradoria-Geral da República a instauração de um inquérito para apurar possíveis crimes financeiros, incluindo o uso de mecanismos de apostas para ocultar recursos de origem ilícita. A reportagem procurou a assessoria da Câmara dos Deputados e o parlamentar para atualizações, mas não obteve resposta até o fechamento do material.
De acordo com o pedido de investigação, João Muniz Leite teria acumulado cerca de 20 milhões de reais em prêmios de loterias, obtidos em aproximadamente 250 sorteios. Em depoimento sigiloso à polícia, revelado pelo Estadão, consta que apenas em 2021 o contador teria sido premiado 55 vezes, número considerado atípico pelas autoridades.
O requerimento também aponta que o número de premiações pode ser ainda maior ao longo dos anos, o que levanta questionamentos sobre a compatibilidade estatística desses ganhos com as probabilidades oficiais dos jogos. Para os investigadores, esse volume de prêmios chama a atenção e reforça a necessidade de apuração detalhada.
Outro ponto central do pedido é a relação profissional do contador com Anselmo Becheli Santa Fausta, conhecido como “Cara Preta” ou “Magrelo”, apontado como um dos principais traficantes do PCC. Segundo as investigações, Muniz teria prestado serviços contábeis a ele por cerca de cinco anos, período em que o suspeito utilizava identidade falsa para movimentar recursos e adquirir empresas.
Em junho de 2022, a Justiça de São Paulo determinou o bloqueio de cerca de 45 milhões de reais em bens ligados a integrantes do PCC e ao contador, incluindo imóveis e ônibus. O Denarc afirma que, em diversas situações, os valores apostados por Muniz superavam os montantes recebidos em prêmios, o que pode indicar tentativa de legalização de dinheiro ilícito por meio de apostas.
Além de atuar para Lula e Lulinha, João Muniz também prestou serviços por mais de uma década a empresas do advogado Roberto Teixeira, compadre do presidente, e foi responsável pela declaração de imposto de renda de Lula entre 2011 e 2015. A defesa do contador afirma que ele não é alvo direto das investigações e que qualquer vínculo com pessoas investigadas foi encerrado em 2020.







