A Câmara dos Deputados passou a liderar o debate sobre o fim da escala de trabalho 6×1 e deixou em segundo plano o projeto enviado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mesmo com o pedido de urgência apresentado pelo Planalto na última semana, o presidente da Câmara, Hugo Motta, decidiu priorizar a tramitação de propostas de emenda à Constituição na Comissão de Constituição e Justiça.
A movimentação reforça o protagonismo do Congresso Nacional na discussão e reduz o peso da proposta do Executivo, que segue atuando nos bastidores para influenciar o texto final. A expectativa é que a admissibilidade das propostas seja analisada nesta quarta-feira, 22 de abril, após pedido de vista da oposição. Caso avance, o tema ainda passará por comissão especial antes de chegar ao plenário.
Entre as propostas em discussão, ganha força um texto intermediário que prevê jornada de 40 horas semanais e escala 5 por 2, sem redução salarial. O modelo é considerado mais viável politicamente e próximo da proposta apresentada pelo governo. Outras sugestões também estão em análise, como a redução para 36 horas semanais e até a possibilidade de semana com quatro dias de trabalho, mas com prazos de transição mais longos.
O desfecho pode representar a maior mudança na jornada de trabalho no país desde a Constituição de 1988. Enquanto defensores apontam benefícios como melhora na qualidade de vida e produtividade, há preocupação em setores da economia sobre possíveis impactos nos custos e no emprego. A intenção da Câmara é levar o texto para votação entre o fim de maio e o início de junho.







