A América do Sul vive um momento de contrastes no debate sobre legislação trabalhista. Na Argentina, a reforma proposta pelo presidente Javier Milei avançou com a aprovação de medidas que permitem jornadas de até 12 horas diárias, desde que respeitado o limite de 48 horas semanais. A mudança busca dar mais flexibilidade às empresas e trabalhadores, mas também gerou forte reação de sindicatos e movimentos sociais.
Além da ampliação da jornada, a nova legislação argentina também estabelece limites ao direito de greve em setores considerados essenciais, como saúde e educação. Centrais sindicais do país contestam a medida e prometem recorrer à Justiça, alegando perda de direitos históricos e riscos à saúde física e mental dos trabalhadores diante de jornadas mais extensas. Parte da reforma, inclusive, enfrenta questionamentos judiciais e ainda pode ter pontos suspensos ou revisados.
Enquanto isso, no Brasil, o debate segue em sentido oposto. Uma Proposta de Emenda à Constituição, a PEC do fim da escala 6 por 1, ganha espaço no Congresso e nas redes sociais. A proposta busca reduzir a carga de trabalho semanal, substituindo o modelo de seis dias de trabalho para um de descanso por formatos como cinco por dois ou até quatro por três, tendência já observada em outros países.
O cenário coloca as duas maiores economias do Mercosul em caminhos diferentes no mercado de trabalho. De um lado, a Argentina aposta em flexibilização para estimular produtividade e investimentos. Do outro, o Brasil discute redução da jornada como forma de ampliar qualidade de vida e bem-estar. O resultado desses debates pode influenciar o futuro das relações de trabalho em toda a região.







