Na manhã desta quinta-feira (06), a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) adquiriu 263,3 mil toneladas de arroz importado em um leilão, cuja previsão do governo era a compra de até 300 mil toneladas. A medida visa conter o aumento dos preços do arroz, que subiram 40% devido às enchentes no Rio Grande do Sul, estado responsável por 70% da produção nacional do grão.
Entretanto, essa importação maciça pode ter impactos negativos na economia brasileira, especialmente quando se considera que a produção nacional de arroz não está desabastecida. De acordo com o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), a safra 2023/2024 no Rio Grande do Sul deve atingir aproximadamente 7.149.691 toneladas, um número bastante próximo ao da safra anterior, que foi de 7.239.000 toneladas. Esses dados indicam que, mesmo com as perdas causadas pelas inundações em maio, a produção gaúcha é suficiente para abastecer o mercado interno, tornando desnecessária a importação do grão.
A estratégia do leilão foi adotada para tentar estabilizar o mercado e oferecer o arroz a um preço mais acessível. O governo planeja vender o arroz importado em embalagens específicas a R$ 4 por quilo, garantindo que o preço final ao consumidor não ultrapasse R$ 20 pelo pacote de 5 quilos. O arroz importado será distribuído a pequenos varejistas, mercados de vizinhança, supermercados, hipermercados, atacarejos e estabelecimentos comerciais em regiões metropolitanas, com base em indicadores de insegurança alimentar.
o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) afirma que não haverá desabastecimento de arroz no Brasil (Foto: Banco de Imagens).
Contudo, essa medida pode prejudicar os produtores nacionais. Importar grandes quantidades de arroz pode desvalorizar o arroz produzido localmente e impactar negativamente a economia do Rio Grande do Sul, além de outras regiões produtoras do Brasil.
O leilão chegou a ser barrado pela Justiça Federal em Porto Alegre, mas o presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), Fernando Quadros da Silva, acatou o pedido da Advocacia-Geral da União (AGU) e liberou a realização do pregão. Apesar dessa liberação, a decisão de importar arroz em grande escala continua a gerar controvérsias sobre sua real necessidade e os possíveis danos econômicos que pode causar.







