O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva gastou quase 238 milhões de reais, desde 2023, em um projeto de envio de mensagens por WhatsApp e celular para divulgar programas sociais e ações da administração federal. A informação foi revelada nesta quinta-feira, 22. Os recursos foram repassados a uma organização privada de Pernambuco, responsável pela contratação de empresas para realizar os serviços. Entre os programas divulgados estão o Bolsa Família, o Gás do Povo e o Luz do Povo.
O projeto, chamado Conexão Cidadã, começou com um acordo de 34 milhões e 500 mil reais, firmado em dezembro de 2023. Desde então, o valor autorizado aumentou para 273 milhões e 200 mil reais, quase oito vezes o montante inicial. Segundo a reportagem, pelo menos 130 contratações foram registradas sem disputa de preços entre fornecedores. O modelo de parceria dispensa a licitação tradicional, mas exige justificativas e fiscalização dos valores pagos.
Outro ponto que chama a atenção é o custo das mensagens. Uma das empresas contratadas chegou a cobrar 71 centavos por envio, valor posteriormente reduzido para 62 centavos. Como comparação, uma operadora privada oferece serviço semelhante por 9 centavos por mensagem. A diferença levanta questionamentos sobre os gastos, embora a comparação envolva períodos diferentes e não comprove, por si só, a existência de sobrepreço. A reportagem também identificou pagamentos de quase 15 milhões de reais durante a campanha eleitoral de 2026, referentes a serviços prestados anteriormente.
A divulgação ocorre às vésperas do segundo turno da eleição presidencial, marcado para domingo, 25. A campanha de Flávio Bolsonaro, do PL, acionou o Tribunal Superior Eleitoral pedindo a cassação da chapa de Lula, sob a acusação de uso irregular de mensagens em massa. O pedido foi negado pelo corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, que manteve o sistema de comunicação em funcionamento. O pagamento durante a campanha não comprova, por si só, propaganda eleitoral irregular. Procurados pelo Poder360, representantes do governo e envolvidos no projeto não haviam respondido até a publicação da reportagem.






