O próximo presidente terá pela frente um cenário fiscal apertado. A dívida bruta do governo geral chegou a 82,9% do PIB em agosto, segundo o Banco Central, e o Fundo Monetário Internacional estima que o índice possa alcançar 100% no próximo ano. No Projeto de Lei Orçamentária de 2027, as despesas primárias estão limitadas a 2,6 trilhões de reais, mas 92% desse valor já está comprometido com gastos obrigatórios.
Com isso, restam cerca de 222,1 bilhões de reais para despesas de custeio e investimentos, depois da reserva de 44,8 bilhões para emendas parlamentares. O governo prevê um superávit primário de 18,6 bilhões de reais em 2027, enquanto a Instituição Fiscal Independente calcula um déficit de 86,1 bilhões, uma diferença de 104,8 bilhões de reais entre as duas projeções.
A divergência está principalmente nas previsões para a economia. O governo trabalha com crescimento de 2,5% em 2027, enquanto a IFI considera uma expansão de 1,8%. Para atingir a meta prevista pelo governo, a instituição calcula que seria necessário contingenciar 35,7 bilhões de reais. Outro ponto de pressão é a dívida pública: 58% está atrelada à taxa Selic, deixando as contas do governo diretamente influenciadas pelas decisões do Banco Central.
Economistas ouvidos pela Forbes Brasil avaliam que o desafio será semelhante para os dois candidatos que chegarem à disputa de 25 de outubro. Segundo eles, o eleitor deve considerar a disposição de cada candidato para organizar as contas públicas, promover reformas estruturais e garantir segurança jurídica, fatores considerados importantes para enfrentar um cenário de orçamento cada vez mais limitado.






