Estudo aponta resíduos de agrotóxicos na água de mais da metade dos municípios catarinenses

Um estudo apresentado nesta quarta-feira, dia 28, ao Ministério Público de Santa Catarina revelou a presença de resíduos de agrotóxicos na água que abastece os 295 municípios do estado. O levantamento, realizado entre 2018 e 2023, identificou algum tipo de contaminação em 155 cidades, o que representa 52,5% do território catarinense, incluindo a detecção de substâncias proibidas no Brasil.

Embora as concentrações encontradas estejam dentro dos limites permitidos pela legislação vigente, o Ministério Público avalia que os dados indicam um cenário de poluição ambiental mais amplo. Segundo o órgão, a contaminação não se restringe à água, podendo atingir também o solo e o ar, com possíveis impactos à saúde da população no médio e longo prazo.

Diante dos resultados, o Ministério Público de Santa Catarina pretende atuar de forma regionalizada e integrada, envolvendo as áreas da saúde pública, meio ambiente e defesa do consumidor. A proposta prevê a criação de grupos de trabalho locais e a abertura de procedimentos administrativos nas regiões que apresentaram maior diversidade de resíduos de agrotóxicos.

Municípios como Imbuia e Ituporanga, no Vale do Itajaí, chamaram a atenção dos pesquisadores pela presença de vários ingredientes ativos, alguns deles banidos pela Anvisa, e por concentrações consideradas elevadas por especialistas. Ao todo, foram identificadas 42 substâncias diferentes nas análises, sendo cinco de uso proibido no país, o que reforça a preocupação do Ministério Público com a exposição prolongada da população a esses compostos.

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Publicado em:

30/01/2026

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