A Associação dos engenheiros Agrônomos do Planalto Norte de Santa Catarina (ASSEAPLAN) e o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Santa Catarina realizaram na tarde desta quarta-feira, 15, na sede do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), campus Canoinhas, um evento voltado à inovação e ao futuro do Agronegócio com o uso da inteligência artificial. O encontro reuniu especialistas, professores e representantes de entidades de classe para discutir como a tecnologia vem transformando o campo e abrindo novas possibilidades para profissionais do agronegócio.
Entre os palestrantes esteve o engenheiro agrônomo Andrei Zapani, especialista em nutrição de plantas e com MBA em gestão de times no agronegócio. Ele destacou que a inteligência artificial já está presente em diversas ferramentas e equipamentos agrícolas, como tratores e colheitadeiras, e vem se consolidando como uma aliada do produtor rural. “A IA não vem para substituir o profissional, mas para somar. Quem souber utilizá-la vai se destacar no mercado”, afirmou.
Zapani também enfatizou a importância de compreender a tecnologia como suporte, e não como substituto do raciocínio humano. “O grande risco é acreditar que a inteligência artificial pensa pela gente. Pelo contrário, ela é uma ferramenta que amplia nossa capacidade de agir e decidir com mais eficiência”, explicou. O palestrante compartilhou exemplos práticos de como usa o ChatGPT para otimizar a comunicação e agilizar análises no campo.
O professor de informática do IFSC, Eduardo Gomes, reforçou que a inteligência artificial não é algo recente, já estando presente desde a década de 1980 em sistemas como as previsões do tempo. Segundo ele, o que mudou foi o acesso popular à tecnologia, especialmente após o lançamento de plataformas como o ChatGPT. “Hoje, a IA está em tudo: no desbloqueio do celular, nos mapas, nas redes sociais. O desafio é aprender a usá-la de forma ética e segura”, ressaltou.
Gomes alertou ainda para os riscos de golpes e manipulações com o uso indevido de tecnologias de voz e imagem, como os chamados deepfakes, e defendeu que os profissionais do campo busquem capacitação. Ele explicou que o próximo passo da tecnologia será a chamada “inteligência artificial forte”, especializada por áreas, o que permitirá, por exemplo, que sistemas identifiquem pragas e indiquem tratamentos específicos para cada lavoura.
Também participou do evento o diretor-geral do campus, engenheiro agrônomo Douglas Bierce, que destacou a relevância de promover a atualização constante de alunos e professores sobre temas tecnológicos. Representando o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA-SC), o fiscal Denilson Grolli apresentou o programa DataFiscaliza, que utiliza inteligência artificial para ampliar a eficiência da fiscalização profissional. O projeto permitiu aumentar de 50 mil para mais de 80 mil relatórios anuais, comprovando, segundo ele, que a tecnologia é capaz de impulsionar produtividade e segurança em diversas áreas.











