A Operação Mensageiro, que apura fraudes milionárias em contratos de coleta e destinação de lixo em Santa Catarina, já resultou na prisão de 45 pessoas em quase três anos de investigação. Entre os detidos estão 17 prefeitos e três vice-prefeitos, além de empresários e servidores públicos. Ao todo, 21 prefeituras catarinenses foram alvo da ação, conduzida pelo Ministério Público em seis fases diferentes.
A operação mais recente ocorreu nesta terça-feira, dia 19 de agosto, com a prisão de três empresários e a realização de buscas e apreensões em endereços ligados a ex-prefeitos de Rio do Sul e Braço do Norte. O esquema, segundo as investigações, teria começado em 2014 e envolvia fraude em licitações e pagamento de propina com recursos da empresa Serrana Engenharia.
O ponto de partida da operação foi a investigação chamada “Et Pater Filium”, deflagrada em 2021, que apurava corrupção no Planalto Norte catarinense. A partir dela, surgiram indícios da participação de prefeituras em um esquema maior, o que deu origem à Operação Mensageiro.
O nome da operação vem de um empresário, um dos primeiros presos, que usava o codinome “mensageiro”. Ele seria responsável por repassar a propina da Serrana Engenharia a agentes públicos de diversas cidades catarinenses. O caso é considerado um dos maiores esquemas de corrupção já investigados no Estado.
Apesar das dezenas de prisões já realizadas, as investigações continuam em andamento. O Ministério Público não descarta novas fases e reforça que o objetivo é desarticular completamente a rede de corrupção que envolvia políticos, empresários e servidores municipais em Santa Catarina.
Linha do tempo da Operação Mensageiro em SC
Primeira fase — 6 de dezembro de 2022
- 15 mandados de prisão preventiva e 108 mandados de busca e apreensão;
- Prefeitos presos: Antônio Rodrigues (PP), de Balneário Barra do Sul, Marlon Neuber (PL), de Itapoá, Luiz Henrique Saliba (PP), de Papanduva e Deyvisonn da Silva de Souza (MDB), de Pescaria Brava;
- Vice-prefeito preso: Renato Pike (PL), de Canoinhas.
Segunda fase — 2 de fevereiro de 2023
- Quatro mandados de prisão preventiva e 14 mandados de busca e apreensão;
- Prefeitos presos: Vicente Corrêa Costa (PL), em Capivari de Baixo, e Antônio Ceron (PSD), de Lages.
Terceira fase — 14 de fevereiro de 2023
- Dois mandados de prisão preventiva e oito mandados de busca e apreensão;
- Prefeito preso: Joares Ponticelli (PP), de Tubarão;
- Vice-prefeito preso: Caio Tokarski (União), de Tubarão.
Quarta fase — 27 de abril de 2023
- 18 mandados de prisão e 65 de busca e apreensão;
- Prefeitos presos: Alfredo Cezar Dreher (Podemos), em Bela Vista do Toldo; Luiz Carlos Tamanini (MDB), em Corupá; Luís Antônio Chiodini (PP), em Guaramirim; Adriano Poffo (MDB), em Ibirama; Patrick Corrêa (Republicanos), de Imaruí; Adilson Lisczkovski (Patriota), de Major Vieira; Armindo Sesar Tassi (MDB), de Massaranduba; Felipe Voigt (MDB), em Schroeder, e Luiz Shimoguiri (PSD), de Três Barras.
Quinta fase — 29 de abril de 2024
- Quatro mandados de prisão preventiva e 19 de busca e apreensão;
- Prefeito preso: Clézio José Fortunato (MDB), de São João do Itaperiú;
- Vice-prefeito preso: Jaime Antônio de Souza (PL), de São João do Itaperiú.
Sexta fase — 19 de agosto de 2025
- Três mandados de prisão preventiva e 36 mandados de busca e apreensão;
- Ex-prefeitos investigados: nos municípios de Braço do Norte e Rio do Sul.







