Santa Catarina avançou na busca por soluções para desafogar suas rodovias ao aprovar, na Assembleia Legislativa, a criação do Sistema Ferroviário do Estado (SFE), que dará ao governo estadual autonomia para conceder trechos ferroviários e ampliar a malha existente. Atualmente, toda a rede ferroviária catarinense é administrada pela União, situação que deve mudar com a nova legislação, que também permitirá concessões à iniciativa privada por até 99 anos.
Segundo o secretário de Portos, Aeroportos e Ferrovias, Beto Martins, o estado era o único do Sul sem legislação própria sobre concessões ferroviárias, condição agora superada.
O principal objetivo do sistema é fortalecer a linha ferroviária para complementar o transporte rodoviário e portuário, com impacto direto no escoamento da produção agrícola e industrial de Santa Catarina. Hoje, apenas 4,4% do transporte de cargas do estado ocorre por ferrovia, com duas linhas em operação: a Malha Sul, voltada ao transporte de grãos entre Mafra e São Francisco do Sul, e a Ferrovia Tereza Cristina, que transporta carvão mineral e contêineres entre Imbituba e Siderópolis.
Entre os projetos em andamento, o governo estadual planeja a ampliação da Malha Sul em 62 km, conectando Chapecó a Correia Pinto, e a ligação dos portos de Navegantes e Araquari a linhas federais, esta última já com 70% das obras concluídas. Além disso, estão em estudo novos trechos ligando os portos de Itajaí, Navegantes, São Francisco do Sul e Itapoá, e outro conectando a Ferrovia Tereza Cristina ao município de Aurora, polo agropecuário catarinense.
“O investimento em ferrovias é uma necessidade absoluta para evitar o colapso das estradas e fortalecer os portos e o agronegócio”, destacou Beto Martins, reforçando que o modal ferroviário é essencial para o futuro logístico e econômico do estado.








