O que era para ser um passeio turístico se transformou em uma das maiores tragédias envolvendo balonismo no Brasil. A queda de um balão em Praia Grande, no Extremo-Sul de Santa Catarina, deixou oito mortos no último sábado (21). Geisi Canhola, de 32 anos, estava no local acompanhada da namorada, de 28 anos, Rosane Denegredo. Em relato ao SCC10, ela contou como tudo aconteceu e como a decisão do piloto salvou vidas.
Segundo Geisi, no momento do acidente, apenas dois balões ainda aguardavam para decolar: o dela e o balão que viria a cair. Os demais já haviam alçado voo sem problemas. “A gente já estava dentro do cesto quando o vento começou a ficar muito forte, muito mesmo. O balão chegou a enroscar num galho de árvore. Foi um momento de tensão”, lembra.
Diante do vento intenso, o piloto da empresa responsável pelo balão de Geisi optou por abortar a decolagem. “Por segurança, o piloto decidiu tombar o balão e pediu para que todos saíssem. Foi a decisão certa”, afirma.
Enquanto aguardavam no solo, Geisi e outros turistas observaram o outro balão tentar decolar. “Ele até conseguiu subir, mas estava mais baixo do que os outros. O piloto do nosso balão comentou que o outro estava soltando muito gás e que aquilo era perigoso”, relata.
Na sequência, veio o susto. “O balão passou por nós, a uns 500 metros, e começou a descer. A gente achou que tinha pousado, que estava tudo bem. Mas então veio uma rajada de vento muito forte, e o balão subiu de novo.” Foi nesse momento que começou o desespero. Segundo ela, uma pessoa se jogou do balão quando ele ainda estava a poucos metros do chão. “Logo depois, vimos outra pessoa pendurada por uma corda do lado de fora. Ela também se jogou. Foi uma cena muito difícil de ver, muito triste”, conta.
A sequência de quedas continuou. “Um por um começou a pular. O balão foi perdendo altitude até que o cesto se desprendeu e aconteceu a queda”, lembra Geisi, que ficou em estado de choque e não conseguiu mais seguir com o passeio. “Nosso voo era o último. Por causa do vento, não aconteceu. A sorte foi o nosso piloto ter percebido o perigo e decidido não voar.”
Geisi destacou ainda que as condições climáticas estavam estáveis no início da manhã. “Estava tudo tranquilo, todos os voos anteriores aconteceram normalmente. Foi só depois das 8h que o vento virou e tudo mudou.”
A decisão de abortar o voo provavelmente salvou a vida de Geisi, da namorada e de outros turistas. Já o balão que decolou, infelizmente, teve outro destino. A tragédia está sendo investigada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que informou que o balonismo é uma atividade desportiva de alto risco e que a responsabilidade pela segurança é do operador.
A empresa responsável pelo balão acidentado, segundo a Anac, possuía autorização para operar.
O que aconteceu
- O balão decolou por volta das 7h da manhã, com 21 pessoas incluindo o piloto para um voo panorâmico oferecido pela empresa Sobrevoar Serviços Turísticos.
- Poucos minutos após subir, as chamas começaram, segundo depoimentos colhidos pela Polícia Civil.
- O extintor a bordo não funcionou, conforme relato do piloto às autoridades.
- O balão perdeu altitude e se aproximou do solo.
- Quando estava próximo ao chão, 13 pessoas incluindo o piloto conseguiram saltar.
- Com a redução de peso, a estrutura voltou a subir.
- Quatro vítimas pularam e morreram com o impacto.
- As outras quatro pessoas permaneceram no cesto e morreram carbonizadas.
- O chamado aos bombeiros foi registrado às 8h21.
Causa do incêndio
Segundo a investigação preliminar, o fogo teria sido provocado por um maçarico usado para inflar o balão. O delegado responsável pelo caso, Tiago Luiz Lemos, confirmou que esse é um equipamento comum nesse tipo de operação. A Polícia Científica e outros órgãos de segurança trabalham na perícia. A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) acompanha o caso.
Extintor falhou
O delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, afirmou que o extintor presente no balão não funcionou, impedindo a contenção das chamas:
“Segundo o que foi identificado, o extintor não funcionou e não foi possível apagar [o fogo]. O balão acaba ficando leve em razão da saída dessas pessoas e sobe novamente”, disse Gabriel.
Vítimas e sobreviventes
- 8 pessoas morreram, sendo quatro ao saltar e quatro carbonizadas no cesto.
- 13 pessoas sobreviveram, entre elas o piloto. Cinco delas foram levadas ao Hospital Nossa Senhora de Fátima, mas já receberam alta.
- Entre os passageiros, estavam mãe e filha, um patinador artístico, um oftalmologista e dois casais.
Clima e condições de voo
Apesar do tempo firme na hora da decolagem, havia previsão de instabilidade climática na região, o que também será apurado pelas autoridades. A investigação deve analisar se as condições meteorológicas influenciaram ou agravaram o acidente.
Sobre a empresa
A Sobrevoar Serviços Turísticos atua no setor desde setembro de 2024 e possuía autorização da prefeitura de Praia Grande para operar. Segundo a empresa, todos os protocolos exigidos pela Anac foram seguidos e não havia registros de acidentes anteriores.
Em nota, a empresa afirmou:
“Trabalhamos com seriedade e cumprimos todas as normas da Anac. Infelizmente, mesmo com todas as precauções e com o esforço do piloto, sofremos com essa tragédia.”
Todas as atividades da empresa foram suspensas por tempo indeterminado, como forma de respeito às vítimas e à comunidade.
O que ainda falta esclarecer
- As investigações seguem em andamento e devem apontar:
- O que causou o incêndio de forma exata;
- Por que o extintor não funcionou;
- Se havia falha mecânica ou negligência operacional;
- E se o clima teve influência no acidente.
A perícia técnica, conduzida por órgãos especializados e acompanhada pela Anac, será crucial para esclarecer as causas e responsabilidades dessa tragédia.
ANAC lamenta e diz que investigará
Em pronunciamento a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) lamentou profundamente o acidente com o balão tripulado de ar quente ocorrido em Praia Grande, e prestou solidariedade aos familiares e amigos das vítimas.
Também afirmou que está adotando as providências necessárias para averiguação da situação da aeronave e da tripulação. “A Anac acompanha os desdobramentos das investigações.” anunciou.
Fonte SCC







