Para ser coerente, Brasil que aplaudiu filme vencedor do Oscar deveria apoiar anistia. É sobre justiça.

O Brasil que aplaudiu o filme “Ainda Estou Aqui” no Oscar pelos relatos das perseguições políticas do passado precisa, por coerência, exigir anistia para aqueles que hoje são alvos de um Judiciário sem freios. Se a repressão do regime militar mereceu condenação e perdão histórico, por que a perseguição imposta pelo STF contra opositores políticos não recebe a mesma atenção?

Pessoas que participaram dos atos de 8 de janeiro seguem presas com penas que chegam a 17 anos, mesmo sem cometerem crimes violentos ou armados. Enquanto isso, jornalistas, juízes e ex-parlamentares enfrentam processos baseados em opiniões, sem qualquer direito a um julgamento justo. O caso de Clezão, morto na cadeia, e de Oswaldo Eustáquio, que ficou com sequelas permanentes após sua prisão, são marcas de um sistema seletivo que pune adversários e protege aliados.

No passado, a esquerda defendeu anistia como um passo necessário para a democracia. Hoje, no poder, nega esse mesmo princípio aos seus opositores. Se a justiça não pode ser uma via de mão única, é hora de exigir: anistia já e o fim da perseguição política em massa no Brasil.

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Publicado em:

03/03/2025

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