A aprovação de seis projetos de lei enviados pela prefeita Juliana Maciel (PL), cinco deles em regime de urgência, movimentou a Câmara de Vereadores de Canoinhas nesta quarta-feira (8). Com sessões extraordinárias realizadas à tarde, a votação foi marcada por polêmicas, forte oposição de parte da sociedade e debates acalorados entre os parlamentares. Apesar da resistência de três vereadores opositores e da presença massiva de cidadãos contrários às propostas, os projetos foram aprovados pela maioria governista.
Projetos aprovados sob regime de urgência
Entre os seis projetos votados, a proposta que causou maior repercussão foi a criação da Secretaria de Governabilidade e o aumento de 42 cargos comissionados, elevando o número total para 210. Caso todos os cargos sejam ocupados, o impacto financeiro estimado é de R$ 988 mil por mês, resultando em mais de R$ 11,8 milhões anuais aos cofres públicos. O regime de urgência imposto para análise dos projetos foi amplamente criticado, com vereadores e parte da população apontando a falta de transparência e tempo para uma discussão aprofundada.
A vereadora Tati Carvalho (MDB) questionou o processo, alegando descumprimento do regimento interno da Câmara. “Esses projetos afetam diretamente as finanças públicas, mas não tivemos acesso a informações claras e completas. Não houve tempo para análise adequada”, afirmou. A parlamentar informou que levará o caso ao Ministério Público, solicitando revisão da aprovação e possíveis medidas legais contra o Executivo e a Mesa Diretora.
Oposição e apoio dividem o Legislativo
A sessão deixou clara a divisão política dentro da Câmara. Os vereadores Tati Carvalho, Cesão do Táxi (MDB) e Kátia Oliskowski (Republicanos) votaram contra todos os projetos, com exceção do Projeto que versa sobre a carga horária e do valor da bolsa-auxílio dos estágios remunerados oferecidos pelo Município de Canoinhas a estudantes regularmente matriculados em Instituições de Ensino Superior e em Instituições de Cursos Técnicos Profissionalizantes.
A oposição defendeu mais cautela no uso dos recursos públicos e maior diálogo com a população. Já a base aliada ao governo, que forma maioria no Legislativo, defendeu os projetos como necessários para o aprimoramento da gestão municipal.
Marcos Homer (PL), presidente da Câmara, justificou o regime de urgência apontando a relevância das propostas para o início do ano legislativo. Segundo o Presidente do Legislativo, existe um déficit de pessoal na Prefeitura.
Protestos populares e episódio de vandalismo
Apesar da manifestação dentro do plenário, um episódio de vandalismo foi registrado no banheiro feminino da Câmara. Funcionários do Legislativo relataram que as paredes do local foram sujas com dejetos humanos, o que gerou indignação tanto entre os presentes quanto entre os vereadores. O ato lamentável destacou o clima de tensão e polarização em torno das discussões.
Próximos passos e possíveis ações judiciais
Com os projetos aprovados, o Legislativo agora aguarda os próximos desdobramentos, que devem incluir a formalização de cargos e novas despesas administrativas. Por outro lado, as críticas e acusações de irregularidades prometem levar o caso para o campo judicial. O Ministério Público será acionado pela oposição para questionar a urgência das votações e o impacto financeiro das medidas.
A população, por sua vez, espera mais clareza e diálogo nas próximas decisões do Executivo e do Legislativo, com destaque para a responsabilidade fiscal e o compromisso com o bem-estar dos cidadãos.







