O dólar fechou em alta recorde de R$ 6,09 nesta terça-feira (17), após atingir R$ 6,20 ao longo do dia. Especialistas apontam que a valorização da moeda americana não afeta imediatamente os consumidores, mas traz reflexos importantes para a economia. Com um período de defasagem entre 6 meses e um ano, a alta do câmbio pressiona os preços de commodities e gera impacto direto em itens básicos do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), como alimentos e combustíveis.
Produtos como trigo, soja, milho e derivados, além de gasolina e diesel, são particularmente sensíveis à oscilação cambial. De acordo com Álvaro Marangoni, especialista da Warren, esses itens compõem 42% do IPCA e possuem um efeito cascata nos preços de toda a cadeia de consumo. Com o dólar em alta prolongada, o custo de vida tende a aumentar, especialmente nos setores de alimentos e transportes, que juntos correspondem a uma fatia significativa da inflação brasileira.
Além da alta no custo de produtos, a valorização do dólar também eleva a pressão inflacionária, forçando o Banco Central a subir a taxa básica de juros. Esse movimento impacta o crédito, a atividade econômica e a capacidade de investimento do país, segundo Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank. Em um cenário globalizado, o câmbio continua a desempenhar papel crucial, afetando tanto o consumidor final quanto as projeções econômicas de longo prazo.





